O que é o Projeto Crespura?

Oi galera, eu andei sumida por aqui, mas tenho uma justificativa: dias depois da estreia desse blog, descobri que estou grávida e que em setembro nasce a minha primeira cria. A notícia mudou minha vida, meus hábitos, meu pensamento, porém estou me readaptando a nova rotina, e pretendo ser mais assídua por aqui (de coração).

Como contei para vocês, sou idealizadora do Projeto Crespura, que lida com toda a temática que envolve os cabelos crespos em suas diferentes texturas e curvaturas e tudo que o que vem somado a ele, desde o preconceito que o rodeia, até o orgulho de quem se reconhece em sua naturalidade.

E para que vocês compreendam o que é realmente o projeto, contei uma história resumida do que já foi feito até aqui:

Tudo começou com uma exposição fotográfica de 24 fotos, sendo elas de 22 pessoas diferentes, tanto mulheres quanto homens, com seus cabelos naturais crespos. A exposição foi uma das atrações do encerramento da semana do Departamento de Ciências Sociais e Letras da Unitau, e teve uma aceitação tão positiva que depois de lá migramos de forma independente para inúmeros locais, entre eles o Museu Felícia Leirner (Campos do Jordão), o Via Vale Garden Shopping (Taubaté), o Jardim da Babilônia (Caçapava), o Jardim Cultural (Taubaté), além da participação em eventos culturais como a primeira edição do Sarau Marginarte, o Encontro de Coletivos do Vale – Piraquaras e a edição de 2016 do Etno Black. Hoje já foram realizadas mais de 20 exposições, feitas de forma independente e sem fins lucrativos.

Os feedbacks acerca da exposição foram tão positivos que decidi dar continuidade ao projeto realizando ensaios fotográficos gratuitos das pessoas que se identificaram com o projeto e queriam participar também. Entre setembro de 2016 e fim de 2017, mais de 100 pessoas foram fotografadas. E de todas as faixas etárias, desde crianças até adultos com mais de 60 anos.

Além da exposição Crespura, o projeto se estende às redes sociais, como o Instagram, onde são disponibilizadas ao menos três fotos de cada ensaio realizado; o Facebook, com conteúdos de incentivo ao cuidado dos cabelos naturais crespos; o site, com link das fotos da exposição; e o blog, que trata de temas diversos, pois um dos pilares do projeto é de transformar a realidade a ponto de pessoas crespas poderem ocupar todos os espaços sociais, sem sofrerem preconceito por conta disso. Então os conteúdos do blog são bem diversos, para conseguirmos dialogar com inúmeros públicos.

E fora da internet é realizado um trabalho socioeducativo nas escolas, com crianças e adolescentes. Essa vertente do projeto conta com palestras, oficinas e dinâmicas a fim de gerar questionamento e acabar com o preconceito ainda existente (muito também no meio escolar) sobre possuir o cabelo crespo. Essa fase pode ter um peso enorme na formação desses futuros adultos, e muitas vezes acontece de forma bem cruel: nenhuma criança ou adolescente crespos se sentirá bem com o cabelo dele enquanto ainda for alvo de piadas preconceituosas e racistas, como por exemplo, o clássico xingamento: cabelo ruim.

Em 2018 o projeto terá continuidade – dentro do possível nessa fase gestacional – em todas as suas plataformas e com um bônus da estreia de um subprojeto que se chama “Criança Crespura”: um Instagram voltado especialmente para crianças até 11 anos, para que ao ver as fotos tais crianças se sintam representadas e construam, desde pequenas, autoestima acerca de seus cabelos crespos e cacheados.

Isso é um pouco do que já foi feito com o Projeto Crespura! Estou à disposição para responder dúvidas, receber sugestões, novas ideias e também críticas construtivas <3

Redes sociais do Projeto Crespura:

Instagram: https://www.instagram.com/projetocrespura/
Facebook: https://www.facebook.com/projetocrespura/
Site: http://www.crespura.com.br/
Acesso direto ao blog: http://www.crespura.com.br/blog-crespura/

Até Breve,

Gabriela Oliveira

Muito prazer, eu nasci PIXAIM

Eu nasci com o cabelo crespo e nascer com ele foi o menor dos incômodos. Ele começou a ser um problema quando – por “culpa” dele- eu passei a ser alvo das clássicas maneiras de diminuí-lo à estaca do pior cabelo do mundo: cabelo ruim, cabelo duro, cabelo Bombril, cabelo bandido (ou está preso ou está armado), ninho de rato, pixaim.. A partir daí eu conheci todos esses problemas e então passei a sonhar em crescer rápido para poder de uma vez alisar meu cabelo duro. Era a única maneira que eu imaginava existir para sair de casa sem ser notada de forma desagradável. E a realização do sonho chegou, eu alisei meus cabelos. E as pessoas pararam de criticá-lo. Eu passava horas pelos procedimentos de alisamento artificial, que ao invés de me trazerem felicidade, só me colocaram em uma prisão: a do cabelo liso impecável. Era possível tê-lo? Era sim, só que não de graça, literalmente falando. Além de todo o investimento monetário, alguns momentos me eram tirados, como as tardes de banhos de mar, os banhos de chuva, ou qualquer eventualidade que me fizesse molhar os cabelos e vê-los em sua forma “real”. Foram 7 anos vivendo dessa forma e mesmo assim não me reconhecia ao me ver em frente o espelho. Eu era a Gabriela, obviamente, mas não tinha auto estima nenhuma e era como se me faltasse algo. E realmente faltava, e eu só me dei conta disso no segundo ano da faculdade, quando fui forte e corajosa o suficiente para me reconhecer e dizer a mim mesma, de dentro para fora: CHEGA! Chega das lágrimas de sofrimento nos momentos de alisar os fios. Chega da cobrança intensa de uma perfeição que nunca me pertenceu. Chega de ignorar a infelicidade de ter um cabelo nada saudável. Chega de usar essa máscara que não me cabia mais. Eu escolhi recomeçar, e para isso eu precisei assumir que eu nasci sim com o cabelo pixaim, e que mesmo que o mundo o fizesse parecer horrível, ele não tinha culpa de nada, era só mais um tipo de cabelo, que assim como qualquer outro, nascia livre, nascia bonito, nascia vivo e saudável, só que eu o tirava a natureza. A partir desse momento, meu cabelo crespo passou a ser motivo de orgulho, ancestralidade e liberdade.

Agora que já contei resumidamente como foi que eu cheguei até aceitação meu cabelo crespo, posso me apresentar a vocês: sou Gabriela Oliveira, tenho 23 anos, vim do Capão Redondo para Taubaté há 16 anos, o que me faz sentir que sou mais taubateana do que paulistana. Sou formada em Jornalismo e escreverei aqui pelo seguinte motivo: sou idealizadora e fotógrafa do Projeto Crespura, um projeto fotográfico, socioeducativo e também de mídias sociais que busca enaltecer a beleza de todas as pessoas que nascem com os cabelos crespos e cacheados em suas mais diferentes curvaturas, de forma que se reconheçam umas nas outras e se inspirem. Quem nasceu pixaim sabe que a sociedade pode ser muito cruel, mas quando nos encontramos o caminho é realmente cheio de curvas, nós, armação, volume, frizz e o principal: o (re)descobrimento de ser quem somos.

Gabriela Oliveira é idealizadora do projeto Crespura (Foto: Carolina Romeo)